Collecchio: A cidade italiana que só faz festas com fogos de artifício silenciosos

Festa só é festa se quando toda a gente se diverte, certo? A pensar nessa situação, a pequena cidade de Collecchio, em Itália, adotou uma nova regra para suas comemorações populares: utilizar, apenas, fogos de artifício silenciosos.

 
fogo

Porquê, fogos de artificio silenciosos?
O motivo não é conhecido da maioria das pessoas, porque ignoram o problema ou simplesmente o desconhecem.
Aquele ‘boom, boom, boom’ todo causado pelos fogos de artifício provoca pânico em crianças autistas e na grande parte dos animais.

 
 

Os fogos de artifício com barulho perturbam pessoas de todas as idades, sendo especialmente afetadas crianças do espectro do autismo e pessoas idosas. Mas são também várias as evidências do seu impacto negativo nos animais, tanto domésticos como silvestres, e ainda no ambiente e na saúde.

Segundo um artigo publicado na revista IEEE Pulse, Na edição de setembro/outubro de 2018, foi apresentado um trabalho científico com o título “Fogo de artifício, Autismo, e Animais – O que fazem os barulhos “engraçados” aos humanos sensíveis e aos nossos animais de estimação” (no original “Fireworks Autism, and Animals – What “Fun” noises do to sensitive humans and our beloved pets”), começando por questionar se estamos a agir civilizadamente e se há algo que possamos fazer enquanto cidadãs e cidadãos acerca da relação do autismo com o barulho.

 
 

Neste estudo é explicado que uma criança autista devido ao pânico causado pelos fogos de artifício pode deixar a sua casa, perder-se e sofrer sérios acidentes. Existem, por isso mesmo, diversos artigos que abordam a forma de pais e cuidadores lidarem com pessoas com autismo quando estão previstos fogos-de-artifício. Pelas mesmas razões, os fogos de artifício podem ser especialmente desagradáveis para pessoas com transtorno de estresse pós-traumático.

No já referido trabalho científico apresentado na revista IEEE Pulse é ainda explicado que enquanto os seres humanos aprendem, eventualmente, a esperar os fogos-de-artifício quando as festividades ocorrem, os animais são sempre apanhados de surpresa.

 

O artigo termina com as mesmas questões com que começa, referindo na conclusão de que nos encontramos numa posição de pouca esperança pois, acima de tudo, esta questão passa por uma maior compreensão entre o que afirmam os especialistas e o que as pessoas exteriores à comunidade científica percecionam.

Para além das pessoas, os animais domésticos, silvestres ou selvagens, são igualmente afetados pelos fogos-de-artifício. Cães e gatos, bem como outros animais, têm os sentidos mais apurados, pelo que a pirotecnia ao produzir sons e efeitos visuais intensos, além de um odor específico, surpreende-os e assusta-os, podendo aumentar a frequência cardíaca, estimular a produção de adrenalina, e ainda os hormônios de estresse. São já vários os casos registados de cães que faleceram pelo pânico e estresse causado pelos fogos de artifício que têm abalado a opinião pública nos últimos anos.

 

No maior evento já relatado sobre os efeitos das explosões de fogos de artifício na vida selvagem, a cidade de Beebe, Arkansas, viu 5.000 melros de asas vermelhas caírem mortos do céu após uma celebração de fogos de artifício.

A Organização Mundial de Saúde aponta 120 decibéis como o limiar de dor para o som, incluindo sons como trovões. Ora, os espetáculos de pirotecnia estão normalmente acima de 150 decibéis, e podem chegar até 170 decibéis ou mais, de acordo com um fonoaudiólogo no Boys Town National Research Hospital, no Nebraska. Assim, diversas cidades na Europa, como Collecchio e Bristol, só permitem espetáculos de fogo-de-artifício silenciosos. A nível mundial são cada vez mais as cidades que escolhem fogos de artifício silenciosos como já acontece por exemplo em São Paulo e na Califórnia.

É importante lembrar que os fogos silenciosos não são, de facto, 100% livre de ruídos. Porém são modelos pirotécnicos projetados com menor impacto sonoro. Ainda que há determinada quantidade de barulho, esta é numa escala bem menor, registando bem abaixo dos típicos 150-170 decibéis dos fogos de artifício habituais, que podem causar danos à audição.

“Por que fazer tanto barulho, se é possível promover uma festa igualmente linda sem os estrondos pirotécnicos?”

 

Essa foi a provocação do município de Collecchio. A primeira comemoração a adotar a ideia aconteceu em setembro e não deixou nada a desejar

Em Portugal o partido PAN fez uma recomendação à Assembleia Municipal de Loures para adoção neste concelho desta alternativa.

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