“Nem mais um euro para o sul da Europa”, pede revista holandesa

A proposta de 750 mil milhões de euros para o fundo de recuperação económica que a Comissão Europeia apresentou na quarta-feira – e que visa ajudar o bloco europeu a ultrapassar a recessão desencadeada pela pandemia, sobretudo os países economicamente mais afetados – caiu mal na Holanda. A posição do governo, que, tal como o austríaco, é a favor da emissão de créditos apenas para não compartilhar dívidas, está em linha com a da revista conservadora “Elsevier Weekblad”.

 

Esta quinta-feira, a publicação aponta o dedo, sem meias palavras, a Merkel e Macron, que, na semana passada, propuseram 500 mil milhões em apoios para responder aos danos económicos da covid-19. Proposta que, atira a revista mais lida do país, “significa uma transferência de dinheiro do norte para o sul da Europa”. “Isso é perverso. Os factos mostram que os países do sul não são de modo algum pobres e têm dinheiro ou acesso a dinheiro que chegue. Também podem melhorar facilmente o poder aquisitivo das suas economias, com reformas como as já implementadas no norte”, pode ler-se num artigo online da revista, que desvenda a primeira página, um quanto provocatória, da edição impressa de sábado.

 
 

As formigas do norte e as cigarras do sul

Capa da edição de sábado da revista "Elsevier Weekblad"
Capa da edição de sábado da revista “Elsevier Weekblad”

“Por que é que o plano de Merkel e Macron de doar 500 milhões de euros não é bom” – é a primeira frase da capa, que acompanha a imagem de uma mulher em correria, atarefada, com o telemóvel numa mão e a pasta de trabalho na outra, e ainda a de um operário, trabalhador em sacrifício. Em baixo, “nem mais um euro para o sul da Europa”. E um homem, latino, de bigode e mangas da camisa arregaçadas, joias pelo corpo, com café e vinho sobre a mesa. A figura feminina transforma-se e expõe agora a vida boa de uma mulher – a flor no cabelo lembra uma sevilhana – que está de biquíni na piscina a fazer scroll nas redes sociais.

 
 

Será uma versão, agora ilustrada, da antiga acusação de que o sul da Europa gastou dinheiro em “copos e mulheres”, durante a crise que conduziu ao resgate financeiro de países como Portugal, Grécia e Espanha. Uma pérola do então (2017) presidente do Eurogrupo e ministro das finanças holandês, Jeroen Dijsselbloem, que não caiu bem às nações-alvo. Como não caíram também as declarações de Wopke Hoekstra, atual responsável pela pasta financeira da Holanda, que recentemente instou a Comissão Europeia a investigar países, como Espanha, que dizem não ter margem orçamental para lidar com os efeitos da crise provocada pelo vírus, indignando António Costa.

IN: JN/Rita Salcedas/Renascença

 

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